No breu da noite a vida insiste,
Colhendo lento o ar gratuito,
Trocando gases no pulmão aflito.
No peito, o coração afadigado
resiste
Irrigando a carne, quase sem pressa
Espreita o dia, e a dor se
expressa.
No íntimo da ilusão adormecida,
silencia
E sonha com o passado que não
regressa,
Sem saber se acorda ou eterniza a
fantasia
Na imobilidade do corpo, a solidão
disfarça.
Sentimentos, imagens e falas malditas,
adágio
Da verdade invisível, sutil e
proeminente
No devaneio do sono, como
presságio,
De que a mentira persiste, indecente!