Um encontro entre todos era improvável. Mas as leis do universo conspiraram e todos estavam reunidos festejando o aniversário de uma amiga de Nilda. Não era tampouco um capricho do destino. Tudo foi ardilosamente planejado. Nilda havia satisfeito todos os desejos de Sheila durante alguns meses, desenhou no seu corpo com a língua, pressionou cada célula com seus lábios, sugou seu suor e seu mel escorrido entre as pernas. Penetrou-lhe o ventre e o traseiro com seus bastões fálicos, arrancando dela gritos e orgasmos alucinados que perturbaram a vizinhança, a ponto de cogitar mudar-se para um lugar ermo só para ouvi-la berrar de prazer.Mas ela era indomável. Não estava nos planos de Sheila viver maritalmente com outra mulher. Queria apenas sexo, não dependência. Nilda nunca aceitou este comportamento. Queria-a para si, exclusivamente. Perdeu-a!Não sabia que Sheila continuava a sentir frisson. A cada insinuação, convites velados para passeios e encontros fortuitos no leito de prazer que havia experimentado; ela sentia molhar entre a virilha. Desejos, agora secretos, de voltar a brincar de mulher da vida sob o jugo de seus bastões fálicos, adormecidos na gaveta do criado-mudo. Bastava não externar domínio, possessão, continuidade, exclusividade, perpetuar a permanência.Sheila queria se oferecer. Chegar de surpresa com o mínimo de roupa e o máximo do corpo exposto, excitá-la com a ausência das roupas de baixo, ser abatida com a volúpia de suas mãos entre as coxas e a língua lambendo o pescoço. Nilda queria ser seu “homem”, sustentar seus caprichos, protegê-la de outros desejos. O qual desconhecia, mas supunha existirem.Mas, homens, Sheila tinha quantos quisesse, bastava sorrir. E ela era pródiga em sorrir. Ela queria a aventura, o novo, o inusitado. Sem que para isso precisasse se expor. Amava o desconhecido, o segredo, o acaso. Gostava de sua condição de mulher desejada por todos, mas só se entregava a quem lhe garantisse segredo. Por isso era quase virgem. Havia deixado ter seus seios chupados num canto escuro qualquer, mas não se furtou a trepar com outro que tinha medo de enfrentar seus instintos. Caçou mulheres em bares e abriu as pernas para que elas sugassem seu prazer, mas fechou para quem quis amordaçá-la e impedi-la de buscar a plenitude do seu orgasmo em diferentes situações. Nilda nunca aceitou esta verdade. Nem mesmo pensou que estava errada não contribuindo para isso.Queixou-se para seu amigo bissexual que tentou alertá-la. Falou-lhe das suas nádegas proeminentes, bem torneadas, avassaladoras para o sexo. Nilda repugnou a idéia de saber que ela gostava de sentir uma febre incontrolável no traseiro. Otávio relembrou-a do desejo que toda mulher sente de experimentar outra mulher, não passivamente, mas de atirar-se sobre ela e arrancar-lhe o gozo com suas próprias mãos femininas e sua boca travestida de macho conquistador. Nilda nem pensou que talvez fosse verdade. Sentiu um ciúme doentio, que cegava todas as chances que tinha de tê-la novamente. Talvez por muitos verões. Talvez indefinidamente.Mesmo estando todas estas frases permanentemente em sua mente, elas não se juntavam para formar a idéia de que era possível recuperar seu troféu mais desejado.Quase todos os dias podia vê-la. Ouvia sua voz e ficava excitada com as lembranças dos gritos e pedidos de mais sexo, mais força, mais orgasmos.Falou no seu ouvido o que poderia fazer se ela reconsiderasse e fosse visitá-la. Tentou seduzi-la com materialismos. Ameaçou seus segredos. Implorou.Sheila cedeu uma única vez, mas Nilda não quis acreditar que foi pelo sexo. Queria se iludir de que foi por outras razões, mais suas do que dela.Aprisionada neste turbilhão de fatos que não conseguia juntar e elaborar uma ocasião propícia para conseguir seu intento, foi que ela acabou acertando o alvo sem querer. Mas apenas a princípio. Depois compreendeu o quanto tinha perdido de tempo e elaborou seu plano.Sua amiga Sandra faria aniversário. Nilda sabia o quanto ela apreciava fazer sexo com mulheres. Com um pequeno investimento, convenceu Sandra a festejar sua primavera em sua casa. Prometeu-lhe convidar uma amiga “deslumbrante” que certamente adoraria, além de uma aventura incomum. Chamou seu amigo Otávio, sabia que teria apoio dele para seu plano. Ele já havia se referido a Sheila com desejo. Faltava apenas convencer Sheila, mas disso Otávio cuidaria, com um pequeno “empurrãzinho”. Certificou-se para que o dia escolhido fosse perfeito. Precisava que Sheila não tivesse outro compromisso naquela noite e usou sua influência profissional para garantir que a armadilha funcionaria. Marcou um compromisso com antecedência, que apesar de falso, fazia sentido no contexto. No dia e horário combinados, seu amigo Otávio ligou e cobrou sua presença em casa, afinal era o aniversário de Sandra. Fingindo ter esquecido, convidou Sheila e colocou-a no telefone com o amigo, que arrematou o plano, fingindo-se ofendido se não aceitasse o convite. Sheila cedeu.Quando chegaram as duas na casa de Nilda, Sandra e Otávio aguardavam, confirmando a seqüência de coincidências e desfazendo qualquer suspeita de Sheila. Entraram e Nilda mostrou onde havia colocado as bebidas para gelar, ainda cedo pela manhã. Depois ligou para a pizzaria e confirmou que poderiam entregar a partir daquele instante. Um bolo de confeitaria com velas, providenciado por Otávio, foi colocado no centro da mesa sobre uma toalha de festa. Como Sheila conhecia a casa, Nilda sugeriu que ela levasse Sandra para o banheiro do andar superior e lhe entregasse uma toalha, tudo antecipadamente calculado para que a aniversariante pedisse o uso do chuveiro para banhar-se, pois tinha vindo direto do trabalho.Sem suspeitar de nada e já interessada nos dotes físicos da moça, Sheila aquiesceu. Subiu com ela até o pavimento superior e lhe mostrou o chuveiro. Sandra pediu que ligasse, tinha medo de levar um choque. A brincadeira de Sheila, abrindo o chuveiro, disparou o plano antes da hora desejada por Nilda.- Agora só falta você pedir para eu te dar banho, disse entre sorrisos.- Seria um presente de aniversário inesquecível, respondeu Sandra.Sheila nem acreditou no que tinha ouvido. Mas não perdeu a chance. Enlaçou-a nos braços e beijou-a com tesão. Seu corpo apertou o dela e logo as roupas estavam sendo jogadas para os lados e os corpos atracados entrando sob a água morna do chuveiro.Sheila agarrou-a por inteiro e friccionava seu corpo no de Sandra, que gemia. Logo seus seios sumiam na boca de Sheila e voltavam a aparecer, chupados e mordidos.De pé, as duas se entrelaçaram e Sheila desfrutou do corpo de Sandra sem deixar de usar o pretexto do banho. Usava o sabonete para excitá-la nos pontos mais frágeis, as mãos para expurgar a espuma, com a ajuda do chuveiro abundante, a boca e a língua para arrancar seus gritos e gemidos que a estimulavam ainda mais.Otávio foi o primeiro a notar a demora das duas. Subiram ambos para ver o que se passava e já na escada puderam ouvir os murmúrios de prazer de Sandra. A armadilha havia começado a funcionar.Nilda voltou correndo, entre estranhas sensações de ciúme e excitação. Abriu a gaveta da cômoda e retirou o comprimido azul que repassou para Otávio. Queria garantir que ele funcionasse na plenitude. Ele engoliu o comprimido quase sem a ajuda do gole da cerveja que ela trouxe para ajudar a ingestão. Nilda tremia dos pés a cabeça. Otávio falou baixinho no ouvido dela, pedindo que se acalmasse. Tudo daria certo, ele disse. Amanhã ela nem desejará ir embora, reafirmou.Chegaram mais próximo que podiam para permanecer invisíveis e poder ver o que se passava no banheiro. Nilda olhou as roupas espalhadas pelo chão e lembrou da primeira vez que Sheila esteve ali. Também tinha sido assim. As roupas pelo chão e ela sobre a cama, excitando-a. Quando viu Sheila chupando Sandra não acreditou. Otávio estava certo. Nunca havia deixado Sheila lhe chupar, ela sempre se portara de forma masculina, sorvendo-a inteira sem nunca se preocupar com que Sheila queria. Mas ao mesmo tempo sentiu uma ponta de orgulho, sua menina aprendera direitinho como fazer uma mulher gozar.Perceberam que elas estavam saindo do box e se esconderam. Elas passaram se beijando, molhadas, a poucos metros deles. Sheila retirou a colcha da cama e praticamente jogou Sandra sobre os lençóis. Deitada de costas, Sandra escancarou as pernas e deixou Sheila aprofundar a língua nas suas entranhas. Foi quando Sheila levantou a bunda para o alto, na borda da cama que Nilda deu o sinal para Otávio. Ele retirou as calças rapidamente, seu membro duro e ereto sob o efeito do comprimido azul parecia irreal. Nilda desejou ter um daqueles e uma lágrima escorreu dos seus olhos, quase embaçando a cena que se seguiu.Otávio entrou no quarto mexendo no próprio membro, como se fosse conseguir fazer que ele ficasse ainda maior. Ao toque de suas mãos nas nádegas de Sheila ele sentiu que talvez ela fosse recusar sua participação. Depois de um breve olhar para trás, ela levantou ainda mais o traseiro e berrou com a entrada do membro no seu rabo. Segundos depois ela já encontrava o mesmo ritmo que ele empunha nas suas investidas no clitóris de Sandra. Eram tantos os gritos e gemidos que não se poderia identificar quem o fazia mais alto ou mais prazerosamente.Sandra elevou as pernas, o que permitiu a Sheila alcançar seu períneo com a língua ávida de tesão. Otávio enterrava o membro em Sheila que jogava o corpo para trás e fazia sumir todo o falo agigantado dentro de si. E berravam! A cada estocada um gemido de prazer dele, um grito de Sheila e depois o som dos lábios dela chupando Sandra, que emitia seu som de prazer.Quando gozaram parecia haver combinado. Explodiram em gritos e soluços e risos, gemeram e se refestelaram nos travesseiros. Sheila estava enlouquecida de tesão. Arrancou a camisinha do membro de Otávio com uma das mãos e abriu a gaveta do criado-mudo com outra, onde sabia existirem mais. Ela mesma abriu o invólucro com os dentes e colocou outra no membro ainda empertigado. Deitou-se de lado e trouxe o membro para a própria boceta, jogando todo o peso do corpo sobre ele. Minutos depois se revirou na cama e sentou-se sobre ele, cavalgando com fúria.Foram tantos os gritos de prazer que Nilda não se conteve. Tirou suas roupas com dificuldade e juntou-se a eles abafando os gritos de Sheila com um beijo banhado de lágrimas e desejo. Sandra abraçou as duas e esfregou-se nelas, fazendo ainda mais peso e deixando Otávio com a missão de mexer os quadris para satisfazer Sheila. O esforço fez com que ele gozasse e saltasse para o lado, extasiado. Percebendo o desespero de Sheila, Nilda alcançou seus falos artificiais na gaveta ainda aberta do criado-mudo. Satisfez seus desejos de penetração e ela gozou esplendida. Agradecida. Dominada.Um após o outro, os coadjuvantes deixaram o quarto no meio da madrugada. Pela manhã Sheila acariciava os cabelos de Nilda. Esta, acariciava-lhe o corpo todo. Sentia-se recompensada pelo prazer que presenciara, ouvira e sentira horas antes.Foi com surpresa e dor que sentiu a bofetada no rosto desferida por Sheila. Mais surpreendida ficou quando, uma semana depois, Sheila chegou com uma pequena valise para passar o fim de semana com ela. Estava apenas de vestido, colado no corpo, quase transparente, sem nada por baixo. Extasiada ficou com o strip ao som do CD alto, quando Sheila subiu na mesa da sala, dançando, lânguida e fazendo sinais para ser seviciada.Noutra vez ela veio acompanhada de uma garota loira e estonteante. Mais adiante veio um homem com ela, que a penetrou depois que Nilda a fez gozar intensamente.Já se passaram vários anos depois disso.Sheila e Nilda ainda se encontram.Freqüentemente.
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