Tive um dia cheio de situações que quase me levaram ao estresse. Logo no dia que vou viajar a noite e ainda precisava passar em casa, fazer mala e arrumar tudo. Viajar de avião com aquele tempo era mais um fator para me deixar nervosa.
Ossos da profissão. Encarei como mais uma das varias barreiras que nós mulheres precisamos enfrentar todos os dias para vencer.
Cheguei no hotel com fome. Não aquela fome angustiada, queria uma coisa boa, dar uma relaxada aproveitando o calorzinho da cidade, não tanto assim, mas mais quente do que a gelada Curitiba. Uma cerveja, de preferência bem geladinha. Delicia!
O hotel estava bem freqüentado e o restaurante ainda meio cheio. Resolvi sair, não queria ficar ali e correr o risco de ser abordada por um hospede. Peguei um táxi e perguntei:
- Você sabe onde tem um bar para mulheres, coisa do gênero?
O taxista pensou um pouco e disse que talvez tivesse uma opção, mas precisava confirmar com uma colega. Ligou pelo rádio do carro e pediu contato com um prefixo. Logo foi atendido. Ele falou o que queria e ouvi quando ela disse:
- Se quiser posso levar, estou passando por perto. Pergunta se quer que espere pra voltar, é meio retirado. Então, antecipei-me.
- É difícil arranjar táxi pra voltar?
- Tem que chamar, lá por aqueles lados não passa assim muito tarde.
- Mas é muito longe? Pra que lado fica?
- Não sei bem direitinho, melhor a senhora aceitar que ela leve, conhece bem aqueles lados.
- Está bem então. Chama ela por favor.
Nem foi preciso. Ele estava falando no rádio quando ela estacionou ao nosso lado. Saltei de um e entrei no outro. A surpresa foi grande. Enorme, pra falar bem a verdade. Uma mulher imensa, a cabeça quase tocava no teto do carro. Parecia uma jogadora de basquete. Cabelos curtos, encaracolados, pele morena e uns olhos grandes, a boca mais ainda. Não era uma princesa da beleza, mas era uma beleza exótica. Sorrisão, dentes bem dispostos, corpo magro mas não do tipo esquelético. Antes de mandar seguir perguntei se ela achava que haveria publico no local ou estaria vazio.
- Olha, costuma sempre estar bem freqüentado, tem a universidade por perto e também é feriado amanhã no município vizinho, é bem na divisa. Tenho a impressão que vai estar cheio. Eu mesma estava pensando e passar por lá daqui umas duas horas.
- Então vamos, se você recomenda vou apostar no seu palpite. Falei.
- Pode confiar. Freqüento lá, conheço a dona, lugar é bem legal, muita universitária, garotas do interiorzão, gente de Minas também. Acho que vai ficar até amanhecer. E deu uma risadinha.
- Nãooo! No máximo as três quero estar fora. Amanhã tenho compromisso as dez. Preciso dormir também.
- Bom! Aí depende. Se gostar de lá acho que vai querer ir pra cama logo; mas dormir, não sei se vai. E me olhou com os olhos grandes pelo retrovisor.
Achei engraçada e fui dando oportunidade pra ela se espalhar na conversa. Perguntei o obvio, ela disse que era lésbica e casada com uma outra taxista, uma trabalhava de dia e a outra a noite, com aquele carro.
- Então vai fazer o que mais tarde lá? Anda pulando a cerca? Instiguei.
- Veja bem; não posso dizer que não. Mas sabe como é, arroz com feijão todo dia é dose. A gente merece uma vez ou outra um filé ou um franguinho para “aprimorar” o paladar. E riu gostoso.
- E ela? Durante o dia não rola essas oportunidades, não deve ter bar funcionando durante o dia. Questionei.
- Pois então. Mas rola coisa, como você diz, que se eu contar vai achar que estou inventando.
- É mesmo? Tem bastante mulher aqui que prefere outra é?
- Nossa! Aqui é por demais. Nessa universidade mesmo acho que é parelho. Homem, viado, mulher e sandalhinha deve ser na mesma proporção.
- Que concorrência então? E bem nessa faixa etária onde só pensam nisso, não é não?
- Nossa! Minha companheira me conta cada “causo” que às vezes chego a duvidar. Escuta coisa, vinda de trás desse banco aqui.
E seguiu me contando algumas coisas rápidas, bem cabeludas. Mas eu estava pouco interessada nos “causos” e mais no jeito engraçado dela falar e fazer expressões, acompanhando a narrativa e se virando pra trás. Nem me pareceu tão longe, pelo tanto que foi divertida a nossa corrida. Quando chegamos, ela propôs:
- Fazemos assim, se for ficar até as três, eu cobro só as duas corridas ida e volta. Se você quiser ficar mais ainda eu cobro a hora parada de espera.
- Acertamos o preço e ela foi ao bagageiro e tirou de uma sacola uma outra camisa pólo, mais adequada do que aquela que vestia com a logomarca da cooperativa de táxi. Sem nenhuma cerimônia tirou uma, ficou só de sutiã e colocou a outra. Dobrou a anterior e voltou a usar a sacola para guardá-la. Achei-a o máximo, com suas malandragens pra curtir umas horinhas de prazer.
Entramos juntas no bar, me segurou pelo braço e foi ao balcão apresentar a dona do lugar, que estava no caixa. Mulher de trinta e poucos anos, bem vestida, simpática, aquela típica dona de casa noturna. Este conhecimento me rendeu uma mesa privilegiada, o serviço de atendimento das meninas foi ótimo e a cerveja sempre geladinha. A taxista, depois da apresentação da proprietária, afastou-se, e mesmo com todo aquele corpanzil, misturou-se as demais presenças e praticamente desapareceu.
Sequei umas universitárias aqui e ali, dei uns beijinhos sem conseqüências, dancei e bebi minha cerveja no que se transformou numa noite agradável, exatamente o que eu estava precisando para relaxar. Eu não era uma atração no lugar, mas também não passava desapercebida. Quase todos os flertes que rolaram terminaram em agarramentos nos cantos escuros do lugar. Eu que não queria levar nada adiante, fiquei assim me divertindo nos doces lábios de umas, dando uns amassos em outras e recebendo minha cota de tesão de quem se interessou mais intensamente. Então fiz minha segunda incursão ao toalete e estava cheia, com uma razoável fila de espera. Fiquei ali olhando para a pista de dança e de repente uma mão forte me abraçou por trás enquanto outra me segurou acintosamente nos peitos e um bafo de bebida destilada, pronunciada por voz masculina, começou a falar bobagens no meu ouvido. Tentei me desvencilhar mas ele era muito forte. Menos de um minuto depois senti ele me largar completamente, como se tivesse sido arrancado de mim. De fato, era a taxista, surgida das sombras, que levou o cara para os fundos do bar com uma eficiente chave de pescoço.
Praticamente ninguém percebeu o que se passou, a não ser duas garotas mais próximas que vieram saber se eu estava bem. Quando eu saí do toalete a taxista já estava de novo encostada numa parede no fundo do bar, como se nada tivesse acontecido. Fui até lá e agradeci, mas ela deu de ombros como se não estivesse entendendo o porque, era como se eu tivesse imaginado a cena. Não aconteceu! Impressionante a fidelidade e o compromisso dessa gente, não querem que você se aborreça com nada. Ela estava ali de olho em todos os meus movimentos, sem que eu tivesse pedido, contratado ou sequer desejado aquela situação de guarda-costas. Senti-me em casa, como se a festa fosse minha, estava totalmente protegida, sem saber até então. Convidei-a para dançar e ela aceitou prontamente. Muito alta, meu nariz ficava exatamente na abertura da gola de sua camisa pólo, na altura dos seios. Senti o perfume do seu corpo, um cheiro de mulher mas com ingredientes masculinos. Ela devia usar um perfume de homem, que aquela altura da madrugada já estava se esvaindo. Mesmo delicada na pegada, ela era “pesada” nos passos da dança. Deixei o corpo bem relaxado e ela segurou firme, sem me sufocar.
Por algum motivo inexplicável fui me deixando envolver pelos seus braços e com os olhos fechados bailei suave naquele corpo enorme que me carregava para cá e para lá, no ritmo da música. A certa altura levantei a cabeça e a encontrei olhando para mim, logo me dirigiu um sorriso e sua boca grande me seduziu para um beijo. Parei de dançar e fiquei na ponta dos pés, abrindo minha boca para receber seu beijo. Sua língua me invadiu inteira e senti o corpo tremer. Suas mãos apertaram mais forte o meu corpo e desejei que ela me carregasse, soltei meu peso todo para que ela sentisse minha entrega. Suas mãos grandes percorreram minhas costas e soltei um gemido. Ela agora não tinha mais duvidas de que eu desejava sentir seus afagos, carinhos e tudo o mais. Sempre de olhos fechados senti que ela me deslocava para os fundos do bar, por onde havia saído com o cara que me agarrou. Sua boca quente iniciou um passeio pelo meu pescoço, fui ficando cada vez mais amolecida. Depois ela me pegou no colo, literalmente, me conduzindo por uma escada para o que pareceu ser uma sala de espera de escritórios completamente apagados. Sobre o sofá ela me colocou ao mesmo tempo em que sua boca engolia um dos seios, sugando com força mas com uma sensação de prazer que me dominou inteiramente. Livrou-me das vestes e sem deixar um centímetro de pele sem beijar, lamber ou chupar, foi me fazendo gemer cada vez mais intensamente.
Agora era eu quem me ajeitava no sofá para permitir o mais amplo acesso dela dentro de mim. Ora com os lábios, ora com a língua, ela me deixava contorcendo, levantando o quadril ou remexendo as ancas. Podia ouvir o som que vinha do bar, nitidamente. Mas o silêncio do andar superior era quebrado mais por meus gemidos do que pela música. Explorou meus pontos de prazer e pareceu mapeá-los, porque sua seqüência de invasões era com freqüência e intensidade sempre ampliada, até que explodi num gozo berrado, entremeando risinhos e soluços. Senti seus dedos grossos e longos penetrar minhas cavernas, uma após a outra. Com movimentos que se assemelhavam ao falo masculino, compassados por tapas na bunda e mordidas aqui e ali, não demorei a ter um orgasmo insano; gritando como se não me importasse de alguém ouvir. Ainda senti sua boca brande me sugando inteira nas carnes, prolongando meu prazer por um minuto ou dois.
Quando a reunião terminou olhei no relógio e vi que faltavam ainda quatro horas e meia para o meu vôo de volta. Peguei na bolsa o cartão com o número da taxista e liguei. Ela atendeu e falei que queria uma outra corrida especial. Ela riu do outro lado e disse que não seria possível, seu carro estava em uso pela companheira. Então me despedi e falei que quando voltasse ela seria procurada, que eu havia adorado o serviço. Ela riu e me disse que me servir havia sido um prazer. Desligamos. Chamei a central de rádio-taxi e outro carro veio me buscar. Resolvi rumar para o shopping, não queria ficar no aeroporto tantas horas aguardando pelo único vôo que me levaria de volta. Poucos minutos depois o meu celular tocou. Uma voz conhecida falou meu nome e depois disse, imperativa:
- Fala para o motorista te levar nesse endereço: Rua . . . .