A CAMINHONEIRA  (Contos das Leitoras) escrito em domingo 01 junho 2008 20:40

Sou uma executiva de industria, minha responsabilidade inclui a área de logistica. Ano passado estava me preparando para sair de viagem para um fim de semana prolongado, o expediente estava terminando. Era sexta-feira, restavam poucas pessoas na planta e eu arrumava minha mesa quando o telefone tocou. A telefonista estava procurando meu assistente, eu sabia que ele já havia saído. Ela me disse que era um telefonema a cobrar, alguém que precisava de uma definição nossa, resolvi atender a ligação.
- Sim? No que eu posso ajudar?
- Eu sou Adriana, estou transportando uma carga de vocês, tive um acidente na estrada, preciso de ajuda.
- Por que você não ligou para sua transportadora? Não temos como ajudá-la, terceirizamos o transporte aqui.
- Eu sou autônoma, peguei essa carga a pedido de vocês, as transportadoras não fazem esta região, só os ônibus. Mas a carga é muito grande pra eles, então vocês me chamaram. Tive um acidente moça, se não me ajudar a carga não vai chegar a tempo.

Eu não sabia nada sobre aquele assunto, são detalhes que meu pessoal coordena, não tinha idéia de tipo de ação deveria tomar, mas uma coisa era certa: estava na rota para o meu destino, então não custava nada dar uma parada no lugar onde aconteceu o acidente. Anotei a localização e sai em direção ao acidente na estrada. Quando cheguei no local indicado encontrei um caminhão pequeno, mas quase novo, com a ponta de eixo quebrada. Um mecânico da região fazia a troca da peça, a previsão de conserto era de algumas horas. O problema da mulher era que não tinha dinheiro para pagar o serviço. Isso eu podia resolver, um cheque seria a solução; já que cartões de crédito naquela região só em lojas e restaurantes eram aceitos. Mas precisava aguardar o fim do serviço, ia perder algumas horas ali.

Liguei para as pessoas com quem passaria o feriado e resumi o problema, dizendo apenas que não esperassem por mim. Não saberia precisar que horas chegaria no Hotel fazenda que reservamos. A partir de então, o destino começou a agir e eu não tenho certeza até hoje se foram coincidências demais ou se eu tinha desejado isso, intimamente.
Perto do local onde o caminhão se acidentou, havia uma dessas churrascarias de beira de estrada, com borracheiro, posto de abastecimento e oficina. Levei a moça comigo para esperarmos mais confortavelmente, usei o carro por ser um local perigoso mas dava até par ir caminhando. Minha curiosidade era grande, uma mulher tão bonita e caminhoneira? Queria saber essa história, deveria ter uma com certeza. Ela só era bonita, rude e vestida quase como um homem, comportava-se de modo a parecer um autêntico motorista de caminhão. Devia ser uma defesa, sei lá. O fato é que tinha uma história, era meu interesse no momento.

Filha única de caminhoneiro que faleceu em acidente alguns anos antes, o dinheiro do seguro foi usado para comprar o caminhão que dirigia agora, única coisa que sabia fazer, além de cozinhar, lavar e passar roupas. Aprendeu a guiar caminhão com o pai, a mãe havia morrido quando ela era adolescente, momento que parou de estudar para “substituir” a mãe nos afazeres domésticos. Estávamos começando a comer quando um barulho muito forte em frente a churrascaria, invadiu o ambiente. Todos correram para a porta, inclusive nós. Um caminhão sem freios atingiu meu carro estacionado como uma pedra que rola morro abaixo. O impacto foi tão forte que o caminhão subiu sobre o automóvel; depois que o guincho retirou-o, o que antes era o teto ficou da altura dos meus joelhos. Dentro do carro estavam minha mala, aparelho celular, computador pessoal; tudo virou um monte de pedaços imprestáveis em meio a ferro retorcido. Resumindo: fiquei sem carro, perdi horas no processo de liberação do registro policial, só sobrou a roupa do corpo e a bolsa com a carteira, cheques, cartões e algum dinheiro que estavam comigo.

Próximo das três horas da madrugada eu era agora uma “carona” no caminhão da moça. Duas horas adiante paramos em uma outra churrascaria, a idéia era ligar para o meu pequeno grupo de amigos no Hotel fazenda para que eles viessem me buscar ali. Mas ligar como? O número estava gravado no celular que se foi no acidente. A moça estava a uma hora do seu destino para descarregar as sete da manhã, o entroncamento onde estávamos dava acesso para que ela me levasse a cidade onde se localizava o Hotel fazenda; mas ficava adiante, a esquerda, duas horas. Resolvemos que eu seguiria com ela e depois tentaria alternativas na cidade. Alugaria um carro talvez, tentaria localizar o telefone do Hotel ou coisa assim. Ela precisava seguir adiante ainda por quase mil quilômetros. Depois de duas faculdades, mestrado no exterior e inúmeros cursos, eu era agora uma “ajudante de caminhão”.

A viagem foi inusitada. Ela acesa com todos os acontecimentos e acostumada a viajar a noite e dormir durante parte do dia; eu sem sono pela excitação da situação em que me encontrava e dos fatos recentes. Restavam-nos conversar sobre eu, ela e suas aventuras na estrada. Ainda esperamos uma hora em frente ao destino da carga por nós produzida, até que abrissem os portões e fizessem o desembarque. Como eram nossos clientes, colocaram-me a disposição o telefone para eu tentar contato com o grupo de amigos no Hotel. Eram quase sete e meia de sábado quando eu consegui falar com o Hotel. Mas não com o meu grupo. Uma crise de apendicite em um deles levou-os a outra cidade, ainda mais distante dali – e no sentido inverso – em busca de socorro médico. Na recepção o único número de telefone que ficou registrado foi o do meu fax; claro, eu havia cuidado das reservas. Entrei em pânico. Toda a minha capacitação profissional de nada adiantou naquele momento. Não havia rent-a-car naquela localidade. Precisava ir adiante ou pegar outra carona no sentido inverso para voltar ao ponto de partida, ou dele me aproximar.

Toda a rudeza da moça desapareceu, ela tornou-se meiga, compreensiva e carinhosa. Disse que precisa dormir, estava acordada na estrada desde o dia anterior e já há mais de dezesseis horas. Mas que faria o possível para me ajudar. Fomos para um Hotel de interior, o único no lugar, com acomodações bastante acanhadas para o meu padrão de vida. Mas eu não pensei duas vezes, aceitei as ponderações, minha cabeça parecia que explodiria a qualquer momento. Acordei perto das duas da tarde. Da minha cama eu via o corpo dela banhando-se no chuveiro por trás de uma cortina plástica transparente e com flores azuis, fazendo as vezes de box. Tinha contornos robustos, próprios de uma mulher que “pega no pesado”, mas se eu não soubesse da sua profissão diria que malhava em academia de musculação. Seus cabelos curtos quase a transformavam num homem e se não fosse os seios poderia dizer que não era um corpo feminino o que eu via. Ela saiu enrolada numa toalha muito pequena, mal cobria seu corpo do busto até as coxas. Escancarou um sorriso e disse para eu ir tomar banho, que estávamos atrasadas.

Quando levantei da cama incômoda, meus músculos pareciam estar pregados nos ossos, doía todo o corpo, estava tensa; gemi e fiz inúmeras caretas antes de conseguir ficar sentada. Ela disse que eu estava “tesa” e me ajudou a ficar de pé e tirar a lingerie, sobre os quais fez comentários enaltecendo meu bom gosto. Depois me conduziu até o box, abriu o chuveiro que refuguei, a água era fria sem qualquer possibilidade de aquecimento. Ela gargalhou. Então usou o próprio corpo, agora nu, para me forçar o acesso para debaixo da água e ficou ali me impedindo de sair. Estendeu o braço e pegou um sabonete meio usado; iniciando uma aplicação forte sobre minhas costas. Foi massageando minhas costas e uma sensação de prazer foi invadindo meu corpo. Aquelas mãos fortes perderam a rispidez, agora era um misto de alívio para a tensão e um carinho para o corpo. Estendi os braços para frente apoiando-me à parede, enquanto ela descia com as mãos costas abaixo, bunda, coxas e panturrilha.

Quando subiram novamente, suas mãos afagaram meus seios, misturando carinhos e espuma do sabonete. Seu corpo estava encostado ao meu e faziam movimentos verticais, mais intensos; e horizontais, mais suaves. Quando suas mãos chegaram a altura do meu umbigo, saltaram para a parte frontal das coxas, descendo até quase os pés. Depois voltaram mais rapidamente e fixaram-se na virilha e depois no púbis. Neste momento eu gemi, aquilo era mais que prazer de uma boa massagem. Era tesão!
Seus dedos me invadiram quase ao mesmo tempo em que sua boca beijou e chupou minha nuca. Instintivamente abri as pernas e uma penetração tímida ocorreu. Gemia e desejava que ela fosse mais fundo. Queria mais, então me virei. Ela estava transtornada, sua boca parecia que ia explodir, os lábios inchados e semi abertos, com uma língua sibilando entre os dentes. Ela me beijou e eu correspondi, então se esfregou inteira sobre mim. Depois me retirou do chuveiro e colocou-me na cama, onde foi direto sugar meu sexo que vertia os fluídos daquela excitação. Tanto chupou, tanto lambeu, tanto mordeu que eu atingi um orgasmo explosivo em meio a gritos e frases de prazer.
Foram mais de quinhentos quilômetros assim. Na segunda-feira depois do almoço, eu estava em uma metrópole embarcando em um avião de volta a minha cidade. Agora, toda sexta-feira quando o telefone toca, eu corro para atender. Mas dizem que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar!

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